Presidente da Federação das APAEs do Estado de São Paulo, Cristiany de Castro, propõe mudança em cálculo do BPC no Senado
Iniciativa busca excluir renda de cuidadores para garantir benefício, impactando famílias de pessoas com deficiência.
Uma Ideia Legislativa, proposta pela advogada Cristiany de Castro, tramita no Senado Federal visando alterar o critério de renda familiar para concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC-LOAS), especificamente o artigo 20, parágrafo 3º-A, da Lei 8.742/1993. A iniciativa busca desconsiderar a remuneração de cuidadores, até o limite de dois salários mínimos, do cálculo da renda per capita, com o objetivo de evitar que famílias de pessoas com deficiência percam o benefício essencial. A proposta, identificada como 215666 no portal e-Cidadania, precisa de 20.000 apoios até 27 de junho de 2026 para se tornar Projeto de Lei.
A proposta central de Cristiany de Castro é a exclusão da renda do cuidador ao determinar a elegibilidade para o BPC. Atualmente, qualquer rendimento de um membro da família é somado, frequentemente elevando a renda per capita acima de um quarto do salário mínimo, limite estabelecido para o benefício. Essa regra tem forçado cuidadores a abandonar empregos formais para não comprometer o auxílio de seus familiares.
A advogada Cristiany de Castro, que também preside a Federação das APAEs do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP), argumenta que a legislação atual impõe uma escolha injusta. Segundo ela, famílias são obrigadas a decidir entre um benefício assistencial vital e o direito do cuidador de trabalhar e buscar estabilidade financeira.
O BPC, assegurado pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), garante um salário mínimo mensal para idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência que comprovem baixa renda, independentemente de contribuição previdenciária. O benefício é crucial para cobrir despesas com medicamentos, terapias e alimentação especial, e a eventual perda compromete gravemente a qualidade de vida dessas famílias.
Para que a Ideia Legislativa 215666 seja apreciada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado, ela necessita atingir 20.000 apoios populares. Atualmente, a proposta conta com aproximadamente 17.000 assinaturas, indicando uma mobilização crescente da sociedade civil em torno do tema.
A discussão sobre a rigidez dos critérios de renda per capita para acesso a benefícios sociais é uma constante no Brasil. Especialistas em assistência social e direitos da pessoa com deficiência apontam que a regra atual do BPC penaliza duplamente as famílias, ao exigir que vivam com renda per capita restrita e ao desincentivar a formalização do trabalho dos cuidadores. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reiteram a vulnerabilidade de milhões de famílias, e a proposta de Castro busca aliviar essa pressão.
A modificação proposta por Cristiany de Castro pode impactar positivamente milhares de famílias brasileiras, promovendo maior autonomia financeira e dignidade. Especialistas em direito previdenciário e assistência social veem a alteração como um avanço significativo, alinhando a legislação a princípios de proteção social e incentivando a formalidade. No entanto, a implementação demandaria ajustes orçamentários, o que pode gerar debates no Congresso Nacional. A mobilização popular é vista como um fator decisivo para a tramitação da iniciativa.



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