“O corpo de um amigo”: Assis revela ao mundo, pela primeira vez, os restos mortais de São Francisco
Abertura ao público ocorre em Assis, Itália, marcando 800 anos da morte do santo e atraindo peregrinos de todo o mundo.
Assis, Itália — 22 de Fevereiro de 2026. Pela primeira vez em oito séculos, a pedra do silêncio se abriu. Nas entradas da Basílica de São Francisco, o túmulo que guardava o corpo do santo mais amado da cristandade foi revelado. Em uma urna de vidro cuidadosamente projetada, os restos mortais de São Francisco de Assis agora podem ser vistos pelos fiéis — um gesto sem precedentes que marca as celebrações dos 800 anos de sua morte.
A decisão, tomada pelas autoridades do Vaticano e pela Ordem Franciscana, nasceu do desejo de aproximar novamente o povo da figura que consolidou a essência da humildade cristã. Foi em 1226 que Francisco se despediu da Terra, deixando como herança mais tensões sua vida de entrega radical: o homem que trocou riquezas por um manto simples, que chamou o sol e a lua de irmãos, e que viu em toda criatura uma centelha divina de amor.
Dentro da basílica, o ar parece suspenso. O murmúrio das orações se mistura ao som suave dos sinos, e há peregrinos ajoelhados de todas as partes do mundo — da América Latina à Ásia — chorando em silêncio diante da urna translúcida. Para muitos, ver de perto os restos de São Francisco é como tocar o próprio coração do Evangelho.
A exposição, prevista para durar um mês, transformou a pequena cidade medieval de Assis em um centro espiritual global. Hospedarias lotadas, ruas cobertas de flores, e um forte esquema de acolhimento coordenado por centenas de voluntários dão o tom da reverência e da emoção coletiva. “É como ver a luz que sempre esteve aqui, mas agora brilha mais intensamente”, disse o frei Matteo Conti, guardião da basílica.
Mais do que uma cerimônia, o gesto tem dimensão simbólica profunda. Ao trazer à luz o corpo que pregou a transparência do espírito, a Igreja convida o mundo à contemplação — à redescoberta de uma fé vivida com ternura, desapego e respeito pela criação. Em tempos marcados por crises ambientais e distâncias humanas, o exemplo do “Pobrezinho de Assis” ressurge como uma resposta viva e necessária.
E assim, sob o frio suave de fevereiro, Assis revive sua vocação de cidade da paz. Cada olhar que se detém sobre a urna traz consigo o eco de um chamado antigo: o de reencontrar, na simplicidade e na fraternidade, o caminho para o sagrado.



COMENTÁRIOS