Operação Coffee Break da federal mira fraudes na educação em cidades da Região Metropolina de Campinas
Investigação revela esquema de corrupção com uso de contratos falsos e desvio de recursos do FNDE em cidades da Região Metropolitana de Campinas
Cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) estão no centro de um novo escândalo de corrupção que envolve desvios milionários de recursos públicos destinados à educação. A Operação Coffee Break, deflagrada nesta semana pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), tem como foco a apuração de fraudes em contratos financiados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Entre as cidades onde foram cumpridos mandados de busca estão Campinas, Hortolândia, Americana e Nova Odessa. Segundo fontes envolvidas na investigação, os esquemas envolvem contratos superfaturados, licitações direcionadas e uso de empresas de fachada para fornecimento de materiais escolares e serviços de infraestrutura.
A PF apreendeu grande quantidade de documentos, dispositivos eletrônicos e até dinheiro vivo durante as buscas. Os investigadores afirmam que os contratos sob suspeita foram firmados nos últimos anos e apontam indícios de participação de servidores municipais, fornecedores e intermediários ligados à política local.
A cidade de Hortolândia teve destaque nas apurações, com mandados cumpridos em endereços ligados a ex-servidores e empresas contratadas pela prefeitura. Em Campinas, a investigação mira licitações que somam milhões de reais em compras para a rede municipal de ensino.
O esquema investigado pela Operação Coffee Break seria baseado em encontros informais entre os envolvidos, onde eram combinadas as fraudes. As empresas envolvidas se revezavam em licitações simuladas para garantir a contratação daquelas previamente acordadas, eliminando a concorrência real.
Apesar do sigilo judicial, fontes próximas à investigação apontam que as irregularidades incluem corrupção ativa e passiva, peculato, formação de cartel e organização criminosa. Os contratos suspeitos estavam relacionados à aquisição de kits escolares, uniformes e manutenção de escolas.
A CGU reforçou que segue monitorando a aplicação dos recursos federais na educação e que novas fases da operação não estão descartadas. A Polícia Federal deve concluir os relatórios periciais nas próximas semanas e encaminhá-los à Justiça.
A repercussão local já começa a gerar cobranças por parte da população e de câmaras municipais, que exigem transparência e responsabilização dos envolvidos. Em meio ao escândalo, a educação pública segue ameaçada por práticas que minam o acesso de milhares de alunos a serviços essenciais.



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