Após assumir compromisso na manhã desta terça-feira(7) em manter as folgas para GCMs e servidores da saúde, Mineirinho volta atrás
Vice prefeito recua de compromisso firmado e revolta servidores públicos. GCMs se manterão aquartelados e longe das ruas de Nova Odessa
A crise envolvendo a Guarda Civil Municipal (GCM) e os servidores da saúde de Nova Odessa terminou a terça-feira (7) sem solução — e com um agravante: o vice-prefeito Mineirinho, que havia firmado um acordo pela manhã com representantes das duas categorias, recuou no meio da tarde e comunicou que aguardará uma nova assembleia do sindicato antes de qualquer deliberação. Para os servidores, que saíram da reunião da manhã com garantias concretas, a mudança de postura equivale a uma quebra de palavra.
O acordo da manhã
A reunião realizada nesta terça incluiu o comando da GCM, inspetores, encarregados de equipe, secretários de Segurança e de Governo, representantes do Jurídico e, de forma significativa, servidores da área da saúde municipal. A presença desta última categoria não foi protocolar: eles estavam na mesa porque a pauta também os afetava diretamente.
Dali saíram compromissos claros: a prefeitura manteria o pagamento de horas extras a 100% por até 90 dias, prazo para que fosse concedido aumento no salário base das categorias; e rejeitaria o item 5 da ata do sindicato, que previa redução de folgas e mudanças na forma de concessão das horas extras. Os GCMs, por exemplo, manteriam as três folgas no regime de 12x36 — um dos pontos centrais de insatisfação desde que a administração passou a questionar a legalidade dessa escala. As mesmas garantias valiam para os servidores da saúde presentes.
A promessa de nota e o recuo
No meio da tarde, ficou informado de que a prefeitura enviaria uma nota oficial ao Varal de Notícias confirmando os termos do acordo. A promessa alimentou a expectativa de que o entendimento seria formalizado. Quando cobrada, porém, a administração comunicou uma decisão diferente: Mineirinho havia optado por aguardar uma nova assembleia do sindicato e uma futura deliberação do SSPMANO antes de qualquer compromisso formal.
O problema, na avaliação dos servidores, é que pela manhã tudo já havia sido acertado — com a participação de representantes de ambas as categorias, secretários e o próprio vice-prefeito. A nota prometida ao Varal nunca foi enviada.
Histórico de desgaste
O episódio desta terça não é isolado. Guardas e servidores relatam perdas acumuladas há mais de um ano, desde o corte de um adicional e a sinalização de que o Tribunal de Contas estaria apontando as horas extras habituais como irregulares. Na proposta de dissídio apresentada anteriormente, havia previsão de redução de folgas e condicionamento de benefícios à ausência de atestados, aprofundando a sensação de desvalorização nas duas categorias.
Nos dias anteriores à reunião desta terça, a GCM havia realizado manifestação em frente à prefeitura e acompanhado Mineirinho em entrevista a uma rádio local, exigindo compromisso formal. O acordo da manhã parecia ser esse compromisso. Não foi.
Aquartelamento e exigência de documento
Em reação ao recuo, parte dos GCMs decidiu permanecer aquartelada, paralisando o patrulhamento ostensivo nas ruas de Nova Odessa. A reivindicação central agora, tanto dos guardas quanto dos servidores da saúde, é simples: qualquer nova proposta precisa estar formalizada em ata, com assinatura de representantes do Executivo e das categorias. Sem documento, sem confiança — e, na prática, sem patrulhamento.
A Prefeitura de Nova Odessa foi procurada pela reportagem do Varal de Notícias para comentar o recuo e a nota prometida, mas não respondeu até o fechamento desta edição.



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