Vítima relata ataque racista e religioso em Americana
Mulher presa por agressão e racismo nega acusações; caso de intolerância religiosa e violência choca a comunidade.+
Uma mulher de 35 anos foi presa em flagrante na noite desta terça-feira, em Americana, após agredir sua vizinha com um pedaço de madeira e proferir ofensas racistas e de intolerância religiosa. A vítima, adepta da Umbanda, relatou ter sido chamada de "macaca" e "macumbeira" pela agressora, que, apesar da prisão, foi solta no dia seguinte e nega todas as acusações, alegando legítima defesa.
O lamentável incidente ocorreu na Vila Belvedere, onde a vítima de 45 anos foi atacada por sua vizinha. De acordo com o relato da agredida, a suspeita passou em frente à sua residência imitando um macaco e disparando ofensas preconceituosas como "macaca", "prostituta" e "macumbeira". A vítima, então, foi até o portão, onde a agressora a atacou com socos e puxões de cabelo.
A violência escalou quando, segundo a vítima, a suspeita pegou um pedaço de madeira. "Ela pegou o pau [de madeira], e disse 'se ela descer, eu vou terminar de matar ela'. Foi com quatro golpes: um acertou no portão, um na minha cabeça, (...) e um feriu meu braço, e eu caí no chão", detalhou a mulher. O boletim de ocorrência registra que a Polícia Militar, acionada para uma briga de vizinhas, flagrou a suspeita desferindo golpes contra a vítima.
A agressora, que não teve o nome divulgado, foi encaminhada à delegacia, mas acabou sendo solta na manhã seguinte, quarta-feira, e responderá ao processo em liberdade, conforme decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Ela apresentou escoriações, recusou atendimento médico e teve o pedaço de madeira apreendido no local.
Em sua defesa, a suspeita nega veementemente as acusações de racismo e intolerância religiosa, afirmando que não possui preconceito e que agiu em legítima defesa. Ela alega que a vítima a agrediu primeiro e que, temendo uma ameaça de faca, utilizou o pedaço de madeira para se defender.
A suspeita argumenta que a convivência com a vítima era problemática desde que esta se mudou para o prédio vizinho. Ela alegou que a vizinha promovia "gritarias" em horários de repouso, brigando com o marido ou a mãe, e que mantinha um centro religioso na casa, gerando barulho. A agressora afirma ter tentado solucionar os problemas de forma pacífica, inclusive acionando a Guarda Municipal e enviando vídeos à proprietária do imóvel, sem sucesso.
Segundo a agressora, a situação piorou após a proprietária pedir que a vítima desocupasse o imóvel, o que teria levado a vítima a hostilizar sua família com palavrões e ameaças. A suspeita vive com o pai idoso, de 76 anos, e um irmão com paralisia cerebral, de 35 anos, e afirma que a tranquilidade de sua casa estava ameaçada.
Uma amiga da vítima, que presenciou a agressão, corroborou a versão da agredida, confirmando as ofensas preconceituosas. A testemunha afirmou que a suspeita chegou a proferir a frase "hoje, todo mundo vai para o cemitério" durante a briga. Este triste episódio ressalta a importância de um debate rigoroso sobre racismo e intolerância religiosa em nossa sociedade, cobrando das autoridades uma atuação firme para que crimes como este não fiquem impunes. A quem interessa essa escalada de violência? Até quando assistiremos a tamanho desrespeito em nosso país?



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