Entidades mantêm cancelamento, e AEANO diz que evento de Natal da Prefeitura não é a tradicional Festa das Nações
Entidades não compareceram à reunião desta sexta-feira com Leitinho; comerciantes questionam localização e Prefeitura prepara anúncio para a próxima semana
A Associação das Entidades Assistenciais de Nova Odessa (AEANO) divulgou nesta sexta-feira, 16 de outubro, uma nova nota de esclarecimento afirmando que o evento com temática natalina anunciado pela Prefeitura não corresponde à tradicional Festa das Nações. O posicionamento reforça a decisão das instituições de não realizar a edição de 2026 e amplia a cobrança por esclarecimentos sobre a programação municipal: qual será o formato, onde acontecerá e de onde sairão os recursos para custeá-la.
A manifestação foi encaminhada depois de uma manhã sem avanço nas negociações. Nenhum representante da AEANO compareceu à reunião marcada com o prefeito Cláudio José Schooder, o Leitinho, para discutir o impasse. Em conversa com o Varal de Notícias nesta sexta-feira, o presidente da associação, Carlos Pinotti, já havia reafirmado que a Festa das Nações não seria realizada neste ano.
Agora, por escrito, a associação estabelece uma distinção entre os dois eventos. Ao tratar da programação anunciada pela administração, a nota afirma que ela “NÃO corresponde à tradicional Festa das Nações”.
Entidades reivindicam protagonismo na organização
O ponto central do esclarecimento é a definição de responsabilidades. A AEANO ressalta que a Festa das Nações é realizada pelas entidades assistenciais, com apoio da Prefeitura — uma diferença que coloca as instituições como organizadoras da celebração, e não apenas participantes de um evento municipal.
Segundo a associação, a festa depende de meses de planejamento, organização, mobilização de voluntários e captação de patrocínios. A nota também reforça que a arrecadação beneficia diretamente as instituições e contribui para a continuidade de milhares de atendimentos à população.
Ao destacar essas características, a AEANO sustenta que a identidade da Festa das Nações está vinculada ao trabalho das entidades e à sua finalidade solidária. A realização de uma programação com alimentação, atrações e estrutura de festa, portanto, não seria suficiente para caracterizá-la como a celebração tradicional.
O documento também adota um tom conciliador em relação ao Natal. A associação manifesta respeito pela iniciativa municipal e deseja sucesso à celebração, ao mesmo tempo em que pede a preservação da história, da identidade e do propósito beneficente da Festa das Nações.
A posição esclarece uma parte da controvérsia: as entidades não estão anunciando o cancelamento de uma festa natalina da Prefeitura. Estão reafirmando que a Festa das Nações organizada por elas não acontecerá em 2026.
Proposta de unir festas levanta dúvidas sobre os recursos
A distinção feita pela AEANO torna ainda mais relevante a discussão sobre o financiamento da programação anunciada pela administração.
Entre os questionamentos relatados ao Varal está a suspeita de que a tentativa de transferir a Festa das Nações para dezembro permitiria à Prefeitura utilizar uma mesma estrutura e recursos associados ao evento para viabilizar também as festividades natalinas.
Nessa interpretação, a união das duas programações seria uma alternativa para custear o Natal com menor necessidade de recursos próprios do município. A suspeita, entretanto, não está comprovada. Não foram apresentados à reportagem documentos que demonstrem falta de dinheiro em caixa ou uma decisão administrativa de utilizar recursos da Agência Metropolitana de Campinas (Agemcamp) com essa finalidade.
Existe um antecedente público: em outubro de 2025, a Prefeitura anunciou que a edição daquele ano seria viabilizada com R$ 200 mil da Agemcamp, destinados especificamente ao evento. Esse anúncio se refere ao ano passado e não comprova um novo repasse para 2026. www.novaodessa.sp.gov.br
Para este ano, permanecem sem confirmação o eventual valor disponibilizado pela agência, a finalidade aprovada e as despesas que poderiam ser pagas. Também falta esclarecer se o projeto municipal prevê compartilhamento de palco, iluminação, shows e outras estruturas entre atividades beneficentes e natalinas.
Com a AEANO afirmando que o evento anunciado não é a Festa das Nações, a pergunta ganha outro peso: caso exista recurso vinculado à festa tradicional, qual seria sua destinação diante da decisão das entidades de não realizá-la?
A resposta depende da apresentação dos documentos de financiamento e do planejamento municipal. A nova nota não comprova uma manobra financeira, mas reforça a necessidade de explicar como a Prefeitura pretende custear uma celebração que, segundo as próprias entidades, tem identidade e proposta diferentes da Festa das Nações.
Comerciantes defendem programação junto às lojas
O anúncio divulgado pela Prefeitura nas redes sociais também provocou preocupação entre comerciantes ouvidos pelo Varal. Segundo eles, a proposta apresentada reuniria as festividades no Paço Municipal, enquanto o setor reivindica ações que estimulem a circulação de consumidores pelos corredores comerciais.
A preocupação envolve especialmente os estabelecimentos das avenidas Carlos Botelho e João Pessoa e de outras vias da região central. Na avaliação desses comerciantes, concentrar as atrações em um único espaço pode diminuir o movimento próximo às lojas e limitar o retorno econômico das festividades.
Embora o Paço esteja localizado na Avenida João Pessoa, a reivindicação é pela distribuição das atividades ao longo da área comercial, aproximando o público dos estabelecimentos.
Os comerciantes relacionam esse receio às perdas que afirmam ter sofrido no ano passado, com a ausência das festividades natalinas que esperavam para impulsionar as vendas. Para eles, a definição do local e da programação precisa considerar também o comércio.
Essa demanda se refere ao impacto econômico da celebração natalina. Já a AEANO ressalta outro objetivo: garantir que a Festa das Nações preserve sua finalidade de arrecadar recursos para os serviços assistenciais.
Uso do nome também integra o impasse
Em conversa com o Varal, a associação também sustentou que a Prefeitura não poderá utilizar o nome Festa das Nações sem sua autorização, por entender que a denominação pertence às entidades.
A documentação relativa à titularidade do nome não foi disponibilizada à reportagem. A nova nota, por sua vez, concentra-se na defesa da identidade histórica e solidária da festa, sem apresentar documentação sobre eventual registro.
Ainda assim, o recado institucional é claro: a AEANO não reconhece a programação natalina anunciada pela administração como a Festa das Nações tradicional.
Prefeitura prepara comunicado
Em conversas informais com representantes da Prefeitura, o Varal recebeu a informação de que um comunicado oficial deverá ser divulgado na próxima semana, com detalhes sobre a programação.
A administração ainda precisa esclarecer ao jornal o nome do evento, o local definitivo, as instituições participantes, o orçamento e as fontes de financiamento.
Com a nova manifestação, a posição das entidades está formalizada: a Festa das Nações não será realizada por elas em 2026, e a celebração natalina anunciada pela Prefeitura é outro evento. Cabe agora à administração explicar o que pretende entregar à população e quais recursos pagarão essa conta.



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